Configurar DMARC: o passo que falta depois do SPF e do DKIM

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Você já ativou SPF e DKIM, mas os e-mails continuam caindo no spam? Então falta o passo final: configurar DMARC. Ele é a peça que diz aos servidores de destino o que fazer quando uma mensagem não passa nas outras duas verificações.

Neste guia você vai entender por que configurar DMARC só faz sentido depois do SPF e do DKIM, como criar o registro no cPanel e, principalmente, por que começar em modo de monitoramento evita derrubar os seus próprios e-mails.

O que cada um dos três faz

A confusão mais comum é achar que SPF, DKIM e DMARC fazem a mesma coisa de jeitos diferentes. Na verdade, eles são complementares:

  • SPF — diz quais servidores têm permissão para enviar e-mail em nome do seu domínio.
  • DKIM — assina digitalmente a mensagem, provando que ela não foi alterada no caminho.
  • DMARC — diz ao servidor que recebe o que fazer quando SPF ou DKIM falham, e ainda pede relatórios sobre isso.

Ou seja, os dois primeiros produzem uma informação, enquanto o DMARC transforma essa informação em decisão. Sem ele, cada provedor decide sozinho o que fazer com uma mensagem suspeita — e o critério varia de um para outro.

Portanto, se você ainda não configurou os dois primeiros, comece por eles: temos guias de como ativar SPF na hospedagem cPanel e de como ativar DKIM na hospedagem cPanel. O DMARC sem eles não tem o que verificar.

Como o registro é montado

O DMARC é um registro TXT no DNS do seu domínio, criado no nome _dmarc.seudominio.com.br. O conteúdo é uma linha com parâmetros separados por ponto e vírgula.

Um registro inicial seguro fica assim:

v=DMARC1; p=none; rua=mailto:[email protected]; pct=100

Veja o que cada parte significa:

  • v=DMARC1 — versão do protocolo. É fixo.
  • p=none — a política. none significa “não faça nada diferente, só me informe”.
  • rua= — o endereço que vai receber os relatórios agregados.
  • pct=100 — a porcentagem das mensagens à qual a política se aplica.

As três políticas possíveis

  • p=none — apenas monitora e envia relatórios. Nada é bloqueado.
  • p=quarantine — mensagens que falham vão para a caixa de spam.
  • p=reject — mensagens que falham são recusadas na entrega.

Por que começar em p=none ao configurar DMARC

Esta é a parte que mais gera problema quando alguém pula etapas.

É tentador ir direto para p=reject, afinal é a configuração mais protegida. No entanto, quase toda empresa envia e-mail de mais lugares do que imagina: o formulário do site, o sistema de emissão de nota, a ferramenta de disparo em massa, o ERP, o WHMCS. Caso qualquer um deles não esteja no SPF, as mensagens dele passam a ser recusadas — e você só descobre quando o cliente reclama que não recebeu o orçamento.

Por isso o caminho recomendado é gradual:

  1. Primeiro, publique com p=none e deixe rodando por duas a quatro semanas.
  2. Em seguida, leia os relatórios e identifique todas as origens legítimas de envio.
  3. Depois, ajuste o SPF e o DKIM para cobrir todas elas.
  4. Por fim, suba para p=quarantine e, mais adiante, para p=reject.

Além disso, o DMARC em modo de monitoramento já traz benefício desde o primeiro dia: ele mostra quem está tentando enviar e-mail se passando pelo seu domínio. A documentação oficial do DMARC.org detalha o funcionamento do protocolo, caso você queira se aprofundar.

Como configurar DMARC no cPanel

No cPanel, o caminho é direto:

  1. Acesse o cPanel e localize a seção Domínios.
  2. Em seguida, abra o Editor de Zona (Zone Editor).
  3. Clique em Gerenciar no domínio desejado.
  4. Depois, escolha Adicionar registro e selecione o tipo TXT.
  5. Em nome, informe _dmarc.
  6. Em conteúdo, cole a linha do registro.
  7. Por fim, salve.

Caso o DNS do seu domínio esteja apontado para outro provedor, o registro precisa ser criado lá, e não no cPanel. Criar nos dois lugares não duplica proteção; ao contrário, só gera confusão na hora de diagnosticar.

Como conferir se pegou

A propagação costuma levar de alguns minutos a algumas horas. Para verificar, consulte o registro TXT de _dmarc.seudominio.com.br em qualquer ferramenta de consulta DNS. Se a linha aparecer exatamente como você publicou, então está valendo.

Depois disso, vale acompanhar o que acontece na prática. Nosso guia sobre como verificar se os e-mails foram entregues no cPanel ajuda a fechar o ciclo.

Erros que aparecem com frequência

  • Mais de um registro DMARC no mesmo domínio. Só pode existir um, portanto dois registros fazem a validação falhar inteira.
  • Endereço de relatório que ninguém lê. O rua= precisa apontar para uma caixa acompanhada, senão a etapa de monitoramento não serve para nada.
  • Ir direto para reject. Já falamos acima, mas é o erro mais caro da lista.
  • Esquecer os sistemas de terceiros. Ferramenta de disparo, emissor de nota fiscal e formulário de site também enviam em nome do seu domínio. Inclusive, se você usa um serviço externo de envio, veja como funciona o SendGrid nos planos da Rubfy.

Resumo rápido

  • DMARC é um registro TXT em _dmarc.seudominio.com.br
  • Ele depende de SPF e DKIM já configurados
  • Comece sempre em p=none e evolua com base nos relatórios
  • Só existe um registro DMARC por domínio
  • Crie no cPanel, ou no provedor onde o DNS estiver apontado

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